Sobre José de Anchieta

São José de Anchieta é reconhecido como Apóstolo e Padroeiro do Brasil.

Anchieta chegou jovem ao Brasil com apenas 19 anos, acometido de uma doença óssea que o acompanhou por toda a vida. Foi aqui, no Brasil, que aprendeu, desenvolveu habilidades e realizou os grandes feitos pelos quais deve ser lembrado:

Os feitos da vida do Padre Anchieta se cumpriram aqui.

Aprendeu uma nova língua e escreveu a primeira gramática do Brasil, sobre a língua mais falada na costa brasileira, o tupi. Conviveu com os indígenas, guardou seus costumes e a eles dedicou sua vida para protegê-los do extermínio dos colonizadores e da escravidão. Ensinou a língua, o sistema numérico e práticas da religião.

Tudo o que Anchieta fez foi inédito. Foi o primeiro a conhecer uma língua que jamais se ouvira. Estabeleceu uma relação de diálogo e convivência entre culturas que nunca tinham se encontrado. Habilidoso com as artes escreveu as primeiras peças teatrais verdadeiramente brasileiras, pois reuniram elementos culturais dos diferentes povos que aqui viviam: indígenas, portugueses e espanhóis. Foi pacificador, chegando a fazer-se de refém para um acordo de paz. Reuniu portugueses e indígenas para a defesa contra a violência dos franceses calvinistas que tentaram invadir o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

 Em 1553 e morreu aos 63 anos na aldeia de Reritiba, hoje município de Anchieta, no Espírito Santo.

 Aqui, viveu a maior parte da sua vida. E o mais importante, foi aqui que aprendeu e deu forma às grandes realizações.

Um santo brasileiro porque foi aqui que viveu a maior parte da sua vida. Apesar de ter nascido nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha.

São José de Anchieta transpôs as barreiras da diferença e da indiferença. Entrou de cabeça, e também de coração, para compreender a indizível novidade que encontrara neste povo e nestas terras.

A partir do que conheceu, realizou feitos incríveis.

Como os indígenas falavam outra língua, fez uma nova gramática. Como lhes agradava a música e a dança, fez o teatro. Se eles eram, Anchieta transformou em somos.

Dizer que Anchieta veio apenas catequizar os índios é uma redução dos grandes feitos que este homem realizou.

Um missionário singular.

O jovem jesuíta José de Anchieta chegou ao Brasil com apenas 19 anos. Conviveu e protegeu os índios que viviam no Brasil. Aprendeu registrou na primeira gramática  “da língua mais falada na costa brasileira”, o Tupi. Escreveu peças teatrais e poemas que fizeram o jesuíta, espanhol por nascimento, ser considerado o primeiro taumaturgo e o primeiro autor de literatura brasileira. Dos indígenas aprendeu a língua, os costumes. Ensinou a língua, o sistema numérico e as práticas da religião. Colocou os índios em posição de destaque ao dar voz aos indígenas nas cartas que redigiu. 

História revelada

Em 1590, São José de Anchieta dedicou a igreja a Nossa Senhora da Assunção. Toda a igreja estava pronta, menos a sacristia.

Padre Nilson Marostica
Reitor do Santuário Nacional de Ancieta

O processo de restauro revelou uma face escondida do Santuário Nacional de São José Anchieta.

Quem for neste final de semana ao Santuário, poderá ver e tocas as pedras originais da construção, que com o tempo, foram cobertas por reboco e pintadas de branco, como estamos acostumados a vê-lo.

Trata-se de um fato inédito e sem previsão para acontecer novamente. Uma vez que o novo reboco das obras de restauro será recolocado.

A fachada e todo o prédio da igreja foram construídos com areia, óleo, cal de ostra e pedra.

Padre Nilson Marostica
Reitor do Santuário Nacional de Anchieta

440 anos da construção e 429 anos da inauguração da igreja

No último dia 15 de agosto, comemoramos os 440 anos do início das obras e 429 anos da Dedicação da igreja. Os dois eventos foram realizados pelo próprio Padre José de Anchieta.

A dedicação, ou consagração, é o nascimento de uma igreja, o que era uma construção torna-se, então, um templo.

Os marcos históricos, culturais e religiosos de 15 de agosto.

Detalhe do altar original no interior da igreja do Santuário Nacional de Anchieta.

Curiosidades reveladas

A torre do sino da igreja já foi atingida por um raio. Neste processo de restauração, também foi possível ver claramente a parte que teve de ser reconstruída. O sino da torre, que ficou rachado após o acontecimento, faz parte do acervo do Museu de Anchieta, atualmente fechado para as obras.

Na torre dos sinos da igreja é possível ver a parte reconstruída após ter sido atingida por um raio.

A mesma devoção de um santo

No Santuário Nacional de Anchieta é possível experimentar a mesma devoção que São José de Anchieta viveu. E nesta oportunidade, o visitante poderá contemplar a fachada da igreja como o próprio Anchieta a inaugurou.

Experimentar a mesma devoção de um santo

O Santuário: Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

O Santuário Nacional de São José de Anchieta está localizado no município de Anchieta, no sul do Espírito Santo. E foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943. 

O conjunto arquitetônico reúne a igreja de Nossa Senhora da Assunção construída por Anchieta, o Museu e o quarto onde o Padre José de Anchieta viveu os últimos anos de sua vida e morreu em 09 de junho de 1597.

O Santuário Nacional de São José de Anchieta

O Santuário foi declarado Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1943.

Restauro do Santuário

As obras de restauro e readequação do Santuário Nacional de São José de Anchieta tiveram início em junho de 2018 com conclusão prevista para o segundo semestre de 2020.  

A Restauração do Santuário Nacional

Visite-nos

O Santuário está aberto para visitação das 8h às 20h.

O Pátio do Santuário onde é possível ver a fachada descoberta está sempre aberto.

As Missas neste final de semana acontecem nos seguintes horários:

Sexta, dia 06 e sábado, dia 07 às 19h (na Capela da Penha, ao lado do Santuário).

Domingo, dia 08, às 8h30, 10h30 e 19h (todas no Santuário).

Segunda, Dia 09, Missa Votiva a São José de Anchieta, às 19h. Com a fachada exposta.

Endereço: Praça do Santuário, 240 – Morro da Penha
29230-000 Anchieta 

Amar e servir: o legado de São José de Anchieta, padroeiro dos catequistas

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”.

Mc 16,15

O jovem José de Anchieta viveu plenamente a missão que Jesus Cristo Ressuscitado confiou aos seus apóstolos.

No mistério amoroso da misericórdia de Deus que se manifesta em seus filhos, de forma particular na vida dos santos, Anchieta tocou um novo mundo, encontrou homens e mulheres de uma cultura diferente, e viu que eram, para o seu tempo, novas criaturas, porém já conhecidas e amadas por Deus.

São José de Anchieta evangelizou essas terras. Trouxe a Boa Nova do amor de Deus. Promoveu o encontro de Cristo com novas culturas, respeitando-a e purificando-a, à luz do Evangelho, quando necessário.

Isso é evangelizar, fazer conhecer o Amor que perpassa toda a realidade humana.

Assim, evangelizando, também foi catequista. Mesmo com saúde frágil, cuidava dos enfermos. Diante de uma nova língua, aprendeu. Aos que não conheciam a fé da Igreja, instruiu com amor. Esteve sempre disponível.

Às vezes estando dormindo me vêm a despertar, para fazer-me perguntas; e em tudo isto parece que saro, e assim é, porque em fazendo conta que não estava enfermo comecei a estar são.

São José de Anchieta
Carta de São Vicente, 1554

Amor e serviço

Dois são os marcos da catequese de Anchieta: reconhecer a dignidade e o valor do outro; e ensinar com a própria vida.

Anchieta entregou a pérola da sua vida aos indígenas. Todas as suas faculdades, todas as habilidades que Deus lhe confiou, Anchieta as colocou a serviço do outro. Reiteramos, um outro até então desconhecido e por isso tratados por muitos como coisa e não como pessoas.

Anchieta elevou em dignidade aqueles desconhecidos que encontrou. Viu neles a face de Cristo. Enxergou no outro, no diferente, alguém igual a ele. Pois eram filhos do mesmo Pai.

Exemplo de catequista e educador, Anchieta o é porque acreditou nas pessoas.

Manuscrito dos votos de José de Anchieta ao entrar na Companhia de Jesus.

O legado de Anchieta para um catequista, hoje

Ao olhar para a espontaneidade da criança, para a timidez do adolescente, para a inquietude do jovem, para a agitação do adulto, para os passos lentos do idoso, um catequista deve olhar como Anchieta os olhou: como pessoas com dignidade e para as quais me dedicarei por completo.

Como? Primeiro amando. E o amor tudo suporta, tudo espera, tudo crê. Significa não se sentir superior. Mas, antes, reconhecer que é preciso aprender deles qual é o tempo de cada um. Qual a necessidade de cada um.

Um exercício para reconhecer também as nossas limitações, e como Deus não nos criou para a imperfeição. Dóceis à Sua divina vontade, somos também nós favorecidos com o crescimento nas virtudes necessárias para amar a Deus com todas as nossas forças.

Quem quiser reformar o mundo, comece por si mesmo.

Santo Inácio de Loyola

Ensinar também pressupõe saber. E saber pressupõe conhecer. E se apenas conhecemos aquilo que amamos, um catequista deve amar a Deus e a Igreja. Somente assim sua vocação de serviço será completa.

Amar e servir. Eis o legado de Anchieta, padroeiro dos catequistas.

O tempo da graça

Instrui e Deus colherá os frutos a seu tempo. Talvez o próprio catequista não veja os frutos. Ou caia na tentação de querer uma resposta rápida.

Também nisso Anchieta é modelo.

Ao sair de Portugal doente, sem perspectiva de uma longa vida, dizia que se fosse capaz de ensinar apenas um Pai Nosso e uma Ave Maria estaria feliz. Teria cumprido sua missão. Nessa simplicidade, mas com total empenho de viver para ensinar com a própria vida, Anchieta lançou as bases de uma nação, como disse o Papa Francisco.

Anchieta tinha a dificuldade da língua, como muitas vezes um catequista tem ao lidar com faixa etária distinta, com culturas diversas. Mas veja, Anchieta primeiro instruiu com a vida. Foi modelo de santidade para os novos povos.

Deus em sua infinita misericórdia confiou ao Brasil um modelo de santidade para os primeiros cristãos desta terra. É a beleza do mistério de Deus. Se encontrei a Cristo e quero amar e segui-lo, quero deixar tudo e viver para ele. Como faço isso?

Essa pergunta é comum ainda hoje para os que vivem a experiência do encontro com Cristo.

O jovem José de Anchieta chegou ao Brasil com apenas 19 anos.

Amar e servir. Quando necessário, falar.

Há mais de 400 anos tivemos um modelo de santidade. Os primeiros cristãos dessa terra viram o Padre José de Anchieta. No contexto da sua época, viveu a plenitude do amor a Deus. O odor da santidade da vida de Anchieta foi seu catecismo.

Todo catequista é chamado a viver aquilo que ensina. E se são os pais os primeiros catequistas, a família é o local propício para ensinar aos filhos a viverem para Cristo.

Olhando nos olhos. Amando. Respeitando. Corrigindo com ternura e firmeza. E se preciso, falando.

São José de Anchieta, padroeiro dos catequistas, rogai por nós.

Monumento no pátio do Santuário Nacional de São José de Anchieta.

Experimentar a mesma devoção de São José de Anchieta

Entre os grandes legados espirituais de São José de Anchieta, a devoção a Nossa Senhora da Assunção tem um lugar de destaque. E o Santuário Nacional de São José de Anchieta, localizado na cidade que leva seu nome, no Espírito Santo, é uma obra particular.

Aqui se descobre a singular experiência de participar da devoção que o próprio José de Anchieta cultivou em seu coração durante toda a sua vida. Aqui ele rezava. Aqui ele fazia silêncio. Aqui ele se ajoelhava. Aqui ele, provavelmente, chorava. Aqui ele, certamente, recebia o consolo de sua Mãe.

O amor à Assunção de Maria era umas das principais devoções marianas de Anchieta. E por isso, construiu e dedicou a ela a igreja de Reritiba. Hoje, essa igreja integra o Santuário Nacional São José de Anchieta.

Imagem de São José de Anchieta e Nossa Senhora da Assunção no altar do Santuário Nacional de Anchieta.

Marcas da devoção mariana de Anchieta

As principais festas marianas no século XVI eram celebradas no dia 15 de agosto. E foi nessa data que Anchieta fundou a missão jesuíta em Reritiba, deu início às obras da igreja e, onze anos depois, dedicou o templo. Ainda, nesse mesmo dia apresentou o Auto da Assunção, uma peça teatral escrita por Anchieta como que para comunicar com emoção aquilo que em seu coração transbordava: o amor e a firme confiança na Santíssima Mãe de Deus, na sua santa e imaculada conceição, na sua vida sem pecado que, assunta ao céu, a fez chegar na plena participação da Glória de Deus.

Porque nada mais lógico que a Mãe de Deus, que nasceu imaculada não experimentar a corrupção da morte. Dormiu e foi assunta, assumida, ao céu em corpo e alma.

Pe. Nilson Marostica, Reitor do Santuário de Anchieta

Anchieta, aqui estamos

Anchieta deixava aos seus filhos e, hoje, ao mundo, esse lugar santo. Aqui construiu e instruiu o amor à Santa Mãe de Deus. Aqui viveu e morreu nos braços da Mãe de Deus.

Aqui vivemos a experiência única de entrar e participar da devoção do Santo Padroeiro e Apóstolo do Brasil que lançou as bases não só deste santuário, mas também as bases de uma nação em Cristo, como disse o Papa Francisco.

Aqui tocamos o coração o Apóstolo e Padroeiro do Brasil porque aqui encontramos Maria que foi elevada ao Céu de corpo e alma, por seu Filho, Jesus Cristo. E assim viver plenamente a Glória de Deus.

E o coração deste Santuário é a cela onde Anchieta viveu seus últimos momentos. O lugar de onde São José de Anchieta parte para viver ao lado de sua Mãe, na Glória de Deus.

Aqui estamos, São José de Anchieta, 429 anos depois, para aprender contigo a amar a Santíssima Mãe de Deus, Nossa Senhora da Assunção, e com Ela aprender a viver com os olhos voltados para o céu a fim de viver para a maior glória de Deus.

Nossa Senhora da Assunção, imagem do altar principal do Santuário Nacional de São José de Anchieta.

Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda em Porto Seguro: 470 anos da chegada dos Jesuítas, de devoção e fé

Conforme a lista do Frei Agostinho de Santa Maria, das várias imagens devocionais da Virgem vinculadas a Companhia de Jesus, nenhuma delas se compara a imagem de Nossa Senhora d’Ajuda de Porto Seguro.

Primeiro, por ser a Igreja do mesmo período da nossa chegada ao Brasil e, segundo, por ser devoção particular essa do Pe. Manuel da Nóbrega. 

Hoje, confiada aos padres Redentoristas, a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, Primeiro Santuário Mariano no Brasil, celebra junto à chegada da Companhiade Jesus 470 anos de história. 

Santo Inácio de Loyola nos Exercícios Espirituais, na Contemplação da Cruz (EE 63), da Encarnação (EE 102) e nas Duas Bandeiras (EE 147) concebe lugar particular a intercessão da Virgem Maria, pedindo ao Pai que nos coloque junto a seu digníssimo Filho. Conforme sua devoção, também reserva à Maria as alegrias da ressurreição (EE 219), confiando-lhe a missão de cuidar da Companhia do seu Filho. É curioso, mas, sob o olhar de Nossa Senhora d’Ajuda vem crescendo a mínima Companhia

Devoção que acompanhou Pe. Manuel da Nóbrega na sua travessia até o Brasil (nome de uma das três naus que trouxeram os Jesuítas em 1549), que recebeu lugar na primeira hora da chegada dos Jesuítas (Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Salvador) e que encontrou pouso definitivo nesta Ermida construída em Porto Seguro (Leite. L. III, p. 18.205, 1938). Nesta cidade, cabeça do Brasil, Pe. Manuel da Nóbrega coloca sua imagem de devoção consagrando a Companhia de Jesus à proteção maternal de Nossa Senhora.

Como narra o milagre, ao dar início à construção da Igreja, tiveram de ir os operários buscar água à força numa baixada tanto para beber como para a obra nas terras de um morador, que moveu queixa contra os padres e sua construção por estarem devastando sua fazenda. 

Conforme registrado, “a paixão do dono da terra cansava mais do que carregar às costas a água morro acima para a obra da Igreja”. Como reza a prática dos religiosos, diante de tamanhas tensões, decidem recorrer à Virgem Santíssima: “Ó Senhora, se agora nos concedes aqui uma fonte, ficaremos aliviados, aquele homem assossegado, e tua obra seguirá adiante!” Diz Pe. Manoel da Nóbrega: A nós “toca ter fé, pois [com essa Senhora] nenhuma cosia é dificultosa!” (Vasconcelos, Cr. II, n.71, 1865).

Ao celebrar a missa na mesma Igreja ainda não concluída, no momento de oferecer o sacrifício do Altar, Pe. Nóbrega reconhece a ajuda que dispôs a Virgem em seu favor. Ouviu um borbulhar de água que começou a sair debaixo do Altar e correr até uma árvore próxima. Diante de tamanho sinal, vinham homens e mulheres de todo o recôncavo a fonte da Virgem d’Ajuda e, entre eles, o senhor da fazenda envergonhado por causa da bondade da Virgem que lhes dera água ainda melhor e mais doce do que eles tinham. Ficando o senhor envergonhado e deveras devoto da Virgem e amigo da Companhia. 

Há ainda outro fato miraculoso, por ocasião da invasão de índios que se precipitaram contra o Arraial d’Ajuda.  Para evitar a destruição da imagem de Nossa Senhora seu guardião decidiu enterrá-la. Conforme a fé dos moradores, tal fato trouxe muitas bênçãos e copiosa fartura ao chão do Arraial com boas colheitas para a região.

Na fé do povo, reúnem-se os elementos água eterra atribuídos a bondade de Deus e a filial ajuda da Virgem Santíssima. A fama da fonte milagrosa correu o Estado do Brasil, atraindo muitos peregrinos ao Arraial. Conforme o Frei Agostinho de Santa Maria, fonte tão virtuosa que não devia a de Nazaré e nem a de Loreto (n. 132, p. 254, 1722).

Sobre este Santuário também escreve São José de Anchieta: “O Pe. Francisco Pires foi Superior de muitas residências, assistindo também na de Porto Seguro, na Ermida de Nossa Senhora, que é da Companhia e, por sua ordem, e de seus companheiros se obrou, pelo mercê da Senhora abrir milagrosamente aquela fonte tão afamada por toda a costa do Brasil, em que se fizeram e faz muitos milagres de diversas enfermidades sob os que em romaria vão em busca de saúde, lá encontram. Usando da mesma água para outras enfermidades encontrando o mesmo resultado” (Vasconcelos, Cr. II, n. 72, 1865). 

A pedido do Pe. Nilson Maróstica – Reitor do Santuário Nacional São José de Anchieta, atendendo ao convite do Pe. Casimiro Malolepszy – Reitor do Santuário de Nossa Senhora d’Ajuda – Porto Seguro/BA, recomendou o Pe. Felipe de Assunção Soriano a presidência da Celebração Eucarística, no dia 14 de agosto de 2019 – Véspera Solene da Festa da Assunção – na antiga Igreja jesuítica de Nossa Senhora da Ajuda, por ocasião das comemorações dos 470 anos da chegada da Companhia de Jesus e da construção do Primeiro Santuário Mariano do Brasil.

Recife, 15 de agosto de 2019.

15 de agosto e os marcos de São José de Anchieta para a história do Brasil

Há 440 anos a Companhia de Jesus chega a Reritiba e São José de Anchieta inicia a construção da igreja, que foi concluída e inaugurada pelo santo jesuíta há 429 anos com a apresentação do Auto da Assunção.

Os acontecimentos do dia 15 de agosto de 1579 e 1590 são decisivos para a história do Santuário Nacional de Anchieta. A igreja e a cidade foram erigidas sobre a identidade anchietana.

Anchieta edificou uma manifestação religiosa, cultural e política que acolheu e envolveu índios e colonos. Recorda-se ainda que dizer índios e colonos não significa dizer que são dois grandes grupos homogêneos. Definitivamente, não. A diversidade de tribos e de origem dos colonos era muito grande.

Anchieta foi um grande conciliador. Recepcionou a muitos. Para isso, valeu-se da abertura à cooperação, ao diálogo, à tolerância, ao respeito. Para unir, valeu-se da arte e da beleza.

Na Fé, Anchieta transmitiu a experiência do amor de um Deus que é próximo, que tem Coração e tem uma Mãe. Uma Santíssima Mãe que vai ao encontro, que visita e chega para ajudar, não para exigir. Vem, justamente para auxiliar naquilo que eles mais necessitam. Assim, transmite a Esperança que não decepciona.

Trecho do Auto da Assunção escrito por São José de Anchieta, em português e tupi.

Os marcos do dia 15 de agosto

440 anos da presença da Companhia de Jesus nas terras de Anchieta.

São José de Anchieta, em 15 de agosto de 1579, Festa da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, funda a missão jesuítica no aldeamento de Reritiba. Atual, município de Anchieta.

No mesmo dia que funda a missão, São José de Anchieta inicia a construção da igreja, a mesma que hoje integra o Santuário de Anchieta.

429 anos da Dedicação da igreja de Nossa Senhora da Assunção realizada por São José de Anchieta

Exatamente 11 anos depois, no dia 15 de agosto de 1590, o mesmo Padre José de Anchieta inaugura essa igreja e realiza a Dedicação da igreja a Nossa Senhora da Assunção. O que era uma construção torna-se, então, um Templo.

429 anos do Auto da Assunção, peça teatral escrita por São José de Anchieta

No dia da dedicação da igreja, chega a Reritiba a imagem de Nossa Senhora. Acontece uma grande e notável festa que marcou a história e a cultura do Brasil, pois nela foi encenado o Auto da Assunção, escrito por São José de Anchieta.

Altar da igreja de Nossa Senhora da Assunção, construído e inaugurado por São José de Anchieta. Hoje integra o Santuário Nacional de Anchieta.

Marco cultural e artístico

No dia da Assunção, quando levaram sua imagem a Reritiba, conforme explica o próprio Anchieta no título do auto, foi uma peça teatral escrita para receber a imagem de Nossa Senhora da Assunção, confeccionada em terracota e que fora produzida em Portugal.

O Auto da Assunção, tem uma particularidade: “é uma peça teatral que conta a história da visita de Virgem Maria à aldeia, explica padre Nilson Marostica, reitor do Santuário de Anchieta.

Ainda hoje é possível ver o local onde foi apresentado o auto. “A encenação aconteceu desde o navio que atracou no porto do Rio Benevente, até o adro, que é o pátio da igreja”, conta o padre jesuíta.

Vieram para assistir o Auto da Assunção, indígenas e colonos de outros aldeamentos como de Vitória, Guarapari, Campos e Macaé.

O Auto da Assunção foi encenado para recepcionar a imagem de Nossa Senhora da Assunção.

Nascimento de uma igreja

A celebração que marca o nascimento de uma igreja tem o nome de dedicação, ou consagração.

São José de Anchieta tinha grande devoção à Conceição e a Assunção de Maria, portanto a escolha da dedicação da igreja está diretamente ligada à vida de oração do próprio santo Apóstolo do Brasil.

Detalhe das pedras da construção originária do altar da igreja de Nossa Senhora da Assunção.

Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

Do antigo aldeamento de Reritiba está preservado o conjunto jesuítico do, hoje, Santuário Nacional de São José de Anchieta, tombado como Patrimônio histórico nacional, que integra a igreja, construída e dedicada por São José de Anchieta à Nossa Senhora de Assunção, parte da residência dos jesuítas, o adro ou pátio da igreja, onde foi encenado o Auto da Assunção, e a cela ou quarto, onde morreu Anchieta em 1597.

Detalhe na fachada da porta principal do Santuário de Anchieta.

Presença da Companhia de Jesus

São José de Anchieta também inaugurou a presença da Companhia de Jesus nas terras do hoje município que leva o seu nome. Uma contribuição em várias áreas do conhecimento e desenvolvimento urbano. Particularmente, do ensino e das artes.

Os jesuítas, como são chamados os padres da Companhia de Jesus, a mesma congregação de São José de Anchieta, são os responsáveis pelo Santuário Nacional de Anchieta.

440 anos da presença da Companhia de Jesus nas terras do hoje município de Anchieta. A missão foi fundada por São José de Anchieta.

Santo Inácio de Loyola, a conversão que levou santos para o mundo

Ferido em uma batalha, Santo Inácio leu os livros sobre a vida de Cristo e dos santos. “Se os santos fizeram isso porque eu também não posso?

“Colocar Jesus, e só Ele, no centro de minha vida.”

Santo Inácio de Loyola
Fundador da Companhia de Jesus

Aquela ferida fez com que Inácio se recolhesse. Guerreiro, descobria que há fidalguia maior, há combate mais duro: a santidade. Há desafio maior: ser santo. Um sentido supremo: a maior glória de Deus.

Inácio, guerreiro. Inácio, mendigo. Deixa sua lança, veste um pano de saco. Cumpre o Evangelho. Sai da Espana. Peregrina à Terra Santa. Anuncia o Evangelho. Retorna. Estuda em Paris, encontra seus amigos, compartilham a mesma fé, fundam a Companhia.

Da conversão de Santo Inácio nasceu a Companhia de Jesus. Para o Novo Mundo, uma nova resposta. E essa nova resposta passou pela vida de novos santos.

Uma resposta para o seu tempo

A Companhia de Jesus nasce missionária. Esse carisma específico é uma resposta criativa de Deus em Inácio, na Companhia de Jesus e nos filhos que essa Companhia gerou. Entre eles, São José de Anchieta.

Contemporâneos, Inácio e Anchieta trocaram cartas que são registros históricos importantes e testemunho fundamental do fiel cumprimento dos ideais de Santo Inácio de Loyola por São José de Anchieta.

O cumprimento dos ideais

Aqui nestas terras, Anchieta cumpriu as constituições que Inácio escrevera, viveu o ardor missionário que Inácio desejava, consolidou a presença da Companhia. Nestas terras, Anchieta trouxe a companhia de Jesus para as pessoas que aqui viviam, e viveriam.

A grande preocupação de Anchieta é salvar almas para Deus. Nisso vai se pautar todo seu trabalho.

Nilson Marostica, SJ
Reitor do Santuário de Anchieta

Como? Ajudando os povos a terem suas práticas purificadas em Cristo, afastando a antropofagia, por exemplo. Ao passo que esses costumes eram corrigidos, ministrava os sacramentos para que tivessem uma experiência pessoal do Batismo que lava, do Corpo e Sangue de Cristo que alimenta, do Espírito Santo que confirma, da Unção que cura. Enfim, do Amor que se faz companhia.

Fidelidade

No período em que foi provincial, Anchieta escreveu as cartas ânuas – enviadas todos os anos pelos provinciais ao superior da Companhia a fim de informar sobre os trabalhos das missões.

Anchieta coloca Inácio a par do que se tem feito na Missão, conforme as nossas constituições. Anchieta foi extremamente fiel.

Nilson Marostica, SJ

Cartas: registros de uma resposta criativa

Nas cartas para Santo Inácio, São José de Anchieta descreve as durezas que enfrenta, a confiança que nunca o abandona, a esperança que o guia.

São notícias de seus filhos espirituais, os registros das fundações de vilas, as exigências do cuidado com os órfãos e as dificuldades diante das práticas instaladas no lugar.

Inácio conheceu as dores, o  trabalho, a esperança, a santidade de Anchieta. Sem ter colocado os pés aqui, colocou o seu coração, colocou aqui a sua companhia. Inácio colocou a Companhia de Jesus nessas terras.

Ele, juntamente com Nóbrega, é o primeiro jesuíta que Inácio envia para a América. Um jovem de 19 anos…

Papa Francisco

Na homilia da Missa em ação de graças pelo reconhecimento da santidade de Anchieta, na igreja de Santo Inácio, em Roma, o Papa Francisco recorda que o jovem Anchieta, ao lado do padre Nóbrega – fundador da província dos jesuítas no Brasil – foi um dos primeiros a concretizar os ideais da Companhia de Jesus.

Confiança na misericórdia

Anchieta primeirou não só nessas terras do Novo Mundo. Anchieta primeirou no pleno cumprimento dos ideais que Cristo suscitou no coração de Inácio. Anchieta escreveu cartas que hoje podemos ler, construiu igrejas que hoje podemos ver, anunciou Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre.

Painel no interior do Santuário Nacional de São José de Anchieta, no Espírito Santo.

Rezem por nós!

Resta que, Reverendo Padre, nos encomendemos humildemente a tua e as orações de todos os nossos Irmãos.

Anchieta para Inácio
Piratininga, na Casa de S. Paulo, 1554.

Como Anchieta pediu um dia, hoje nós também pedimos:

Santo Inácio, nosso pai, peça a Deus por nós. Junto dos santos irmãos da Companhia, ajuda-nos a darmos também hoje uma resposta criativa para o nosso tempo.

Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.

A proteção dos índios e a atualidade do legado de Anchieta

Proteger os indígenas é um tema atual. Como é possível sentir na nota dos índios da aldeia Wajãpi Aldeia, no Amapá, quando denunciam a morte do cacique Emyra Waiãpi, de 68 anos, a perseguição por grupos armados e pedem ajuda.

O chefe Emyra Wajãpi foi morto de forma violenta na região da sua aldeia Waseity. (…) Encontraram um grupo de não-índios armados nos arredores da aldeia. À noite, os invasores entraram na aldeia e se instalaram em uma das casas, ameaçando os moradores. Um grupo de guerreiros wajãpi de outras regiões da Terra Indígena foi até a região do Mariry para dar apoio aos moradores de lá enquanto a Polícia Federal não chegasse. (…) Os guerreiros wajãpi ficaram de guarda próximo ao local onde os invasores se encontram e nas aldeias que ficam na rota de saída da Terra Indígena. Durante a noite, foram ouvidos tiros na região da aldeia Jakare.

Trechos da nota dos índios Wajãpi (1)
Crianças da aldeia Wajãpi perseguidas por garimpeiros. Fonte: site Apina

Legado de Anchieta

Falar de São José de Anchieta é falar de aspectos históricos imbuídos de tamanha atualidade que nos fazem superar quatro séculos, aos quais, ao mesmo tempo em que nos separam, nos unem. Somos separados pelas datas e unidos pelo seu legado, ou seja, pelo que fez, ensinou e deixou para nós.

Reconhecido por títulos atemporais, como Apóstolo do Brasil, Poeta da Virgem Maria, hoje, é dia de recordar Anchieta como defensor dos índios. Reconhecer Anchieta indigenista é atual, é presente, é justo e necessário.

Rejeição à violência

As práticas de Anchieta estavam arraigadas na evangelização que prioriza o encontro, o conhecimento do outro, o respeito e o diálogo.

Aprender de Anchieta a defesa dos indígenas significa rejeitar tanto a violência pelo discurso de ódio quanto pela violência física que gera a morte do corpo.

Anchieta, defensor dos índios

Como agiu Anchieta? Não de forma egoísta, “mas abraçando sua cultura, aprendendo sua língua, entendendo sua mentalidade. Anchieta foi irmão, protetor e defensor dos índios”, como descreve Padre Bruno Franguelli (2).

Trabalhamos o possível pela defesa dos índios.

São José de Anchieta
Carta ao Geral da Companhia de Jesus, Pe. Cláudio Acquaviva

Em determinado momento, o encontro tornou-se inevitável. Anchieta promoveu o encontro, buscou o equilíbrio, defendeu a dignidade dos indígenas, protegeu os índios contra a ameaça da indignidade da escravidão. Contextos diferentes, mas a necessidade de proteção subsiste.

Dois fatos históricos

Refém em um acordo de paz em Iperoig.

O caso de Iperoig, no qual Anchieta e Nóbrega atuaram para um acordo de paz, aponta-nos como um luzeiro. Em 1563, os jesuítas conseguiram através do armistício de Iperoig estabelecer um compromisso de paz entre tamoios e portugueses. Para tanto, Ancheita ficou como refém dos tamoios.

Não hesitou em oferecer a própria vida para evitar mortes. Dessa confiança, nasceu o Poema da Virgem Maria, escrito nas areias da praia durante o cativeiro e que lhe conferiu o título de Poeta da Virgem Maria.

Anchieta refém dos Tamoios, escreve o Poema da Virgem Maria enquanto aguarda as negociações do armistício de Iperoig . Pintura de Antônio Parreiras de 1928 

Confronto na vila de Piratininga e a morte do cacique Tibiriçá.

Como fundador da cidade de São Paulo, Anchieta esteve fortemente vinculado à vida com os indígenas. No caminho dessa constituição não esteve só.

“Todos  do povoado foram surpreendidos com um terrível ataque da parte dos tupis do sertão que desejavam exterminar toda a vila. (…) Lá fora, os dois lideres indígenas Caiubi e Tibiriçá, colocaram-se junto aos colonos para defender a população de tal destruição. Porém,o valente Tibiriçá foi morto pelos seus inimigos.”

Relato do confronto em Piratininga (3)
Em 9 de julho de 1562

Anchieta e o cacique eram amigos. São José de Anchieta viveu a dor da sua perda.

“Foi o nosso principal amigo e protetor, não só benfeitor, mas ainda fundador e conservador da casa de Piratininga.”

Carta do Padre José de Anchieta

Ao santo que conheceu a tristeza da morte de seu cacique, pedimos a proteção para os povos indígenas.

Cacique Tibiriçá e Neto. Óleo sobre tela de José Wasth Rodrigues. Acervo do Museu Paulista do Ipiranga.

Referências

(1) Nota do Conselho das Aldeias dos índios Wajãpi (Alpina). Acesse na íntegra aqui.

(2) Devocionário de São José de Anchieta. Apóstolo e Padroeiro do Brasil, p.17. Autor: Bruno Franguelli, sj, 2019, Editora Santuário.

(3) José de Anchieta. Um poeta Apaixonado pelo Reino. Autor: Bruno Franguelli, sj, 2019, Edições Loyola.

468 anos da igreja de São Tiago Apóstolo. Túmulo do Apóstolo do Brasil.

Esta é a igreja de São Tiago Apóstolo, na ilha de Vitória, Espírito Santo. O Apóstolo do Brasil, São José de Anchieta, foi sepultado no altar desta igreja.

Foi a sede dos Jesuítas em Vitória. Aqui também esteve Anchieta, quando assumiu a função de provincial da Companhia de Jesus no Brasil, uma posição de governo e serviço.

Entre a igreja de São Tiago, em Vitória, e a igreja da Assunção, na cidade de Anchieta, são 80 km de distância. E esse é um dos mais importantes e conhecidos trajetos que o apóstolo do Brasil percorria à pé. Por este mesmo percurso os índios conduziram o corpo do Padre José de Anchieta para ser sepultado.

Tamanha a relevância do Apóstolo e Padroeiro do Brasil, hoje, que quatro séculos depois também podemos dizer que este é o trajeto entre o Santuário Nacional de São José de Anchieta e o Palácio Anchieta.

As marcas da santidade

O santo que pisou as terras capixabas deixou grandes marcas no lugar que agora chamamos pelo seu nome: Palácio Anchieta.

Hoje, o Espírito Santo reconhece que o Palácio Anchieta é um patrimônio capixaba. Sim, ali está uma síntese da história destas terras. Que começou com um santo homem que lançou as bases dessa Nação, desse Estado e desse Povo.

Mas o dia de hoje também é desafiante. Porque nos coloca perguntas. Conhecemos esse Palácio? Conhecemos Anchieta? Conhecemos este patrimônio capixaba? O Palácio. Conhecemos este patrimônio de humanidade? A pessoa, Anchieta.

A conversão de igreja a palácio. A expulsão dos jesuítas. Poderia Anchieta alguma vez pensar que sua amada Companhia seria expulsa dos Reinos de Portugal? Que as construções que edificaram seriam confiscadas? Que os vestígios de sua dedicada atenção seriam destruídos?

Palácio Anchieta. Antes, igreja de São Tiago Apóstolo. Para sempre será o lugar santo onde foi sepultado o Apóstolo do Brasil. Pois a santidade deixa marcas, exala perfume, muda a história.

Palácio Anchieta, atual sede do Governo do Estado do Espírito Santo.

Breve histórico do Palácio Anchieta

A igreja foi confiscada. O uso alterado. A nova construção recebe o nome de Anchieta, embora Palácio não seja uma expressão que combine muito com Anchieta. Entenda por quê.

  • 1551 – Padre Afonso Braz inaugura igreja de São Tiago, feita de madeira.
  • 1559 – Um incêndio destrói totalmente a primeira igreja.
  • 1570 – Tem início a construção de uma nova igreja, com a participação de Anchieta, Provincial dos jesuítas no Brasil.
  • 1597 – Morre Padre José de Anchieta. Seu corpo foi enterrado no altar principal da igreja de São Tiago.
  • 1734 – Conclusão das obras do Colégio e das torres da Igreja de São Tiago.
  • 1759 – Expulsão dos jesuítas dos Reinos de Portugal. O governo confisca as construções jesuíticas.
  • 1798 – A igreja e o colégio São Tiago ganham o nome de Palácio do Governo.
  • 1908 – Governador Jerônimo Monteiro modifica o palácio e constrói a fachada atual.
  • 1922 – Derrubada a segunda torre da igreja. A construção perde o aspecto característico das obras jesuíticas.
  • 1945 – O governador Jones dos Santos Neves muda o nome do prédio para Palácio Anchieta.

Momento histórico

São José de Anchieta na igreja de São Tiago

Túmulo de São José de Anchieta no Palácio Anchieta, Vitória – ES.

A Missa votiva a São José de Anchieta celebrada no Palácio Anchieta neste ano foi um acontecimento histórico. Desde a expulsão dos jesuítas não se tinham registros de uma celebração no lugar.

Em um intervalo de 260 anos, há apenas 5 anos da canonização de Anchieta, os jesuítas voltaram a celebrar a Missa no local onde São José de Anchieta foi sepultado. O mesmo lugar onde Anchieta foi aclamado Apóstolo do Brasil, no dia de suas exéquias. Antes, igreja de São Tiago. Hoje, Palácio Anchieta. Sempre, Memorial do Apóstolo do Brasil.

Os padres jesuítas Bruno Franguelli, Nilson Marostica e José Célio celebraram a Missa no túmulo de Anchieta, após 260 anos.

A pisada espacial do jovem Anchieta

Há cinquenta anos o homem chegou à Lua. Costuma-se dizer a primeira vez que o homem pisou na Lua.

“Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade”.

Neil Armstrong, astronauta,
ao pisar na Lua.

Armstrong disse essa frase quando, na poeira acinzentada deixava a marca da sola de sua bota. Provavelmente, essa imagem ainda esta lá, estática, como agora em nossa retina.  

Esse tempo, passado a muito, dada a aceleração atual da vida cotidiana, ganhou especial relevância em razão de, nesses últimos anos, ter-se retomado inesperadamente um certo interesse em polarizações políticas similares às que, naquele tempo, impulsionaram a expedição lunar. Era o ano de 1969, auge da assim chamada Guerra Fria.

Mas o que isso tem a ver com nosso São José de Anchieta?

Era o ano de 1553, dia 13 de julho, há quase quinhentos anos atrás. Hoje, exatamente, estamos a quatrocentos e sessenta e seis anos e sete dias do momento no qual o jovem José de Anchieta pisava o solo do Brasil, na Bahia, colocando pela primeira vez os pés no continente da América, nas desejadas terras do Novo Mundo.

A pisada de Anchieta, diversamente da de Armstrong, não existe mais.

Em vez de estática, a pisada de Anchieta revelou-se dinâmica. A areia, carregada pelos ventos e pelas inevitáveis sobreposições terrestres de pés, encarregou-se da nova mistura que, no fim, a apagou. Contudo, não apenas por questões físicas, mas por uma imagem indelével: sua humanidade extraordinária.

Da pisada de Anchieta, brotaram milhões de passos. Milhões de passos para a Humanidade. Aquela Humanidade apontada por Armstrong, com os pés fincados na Lua.

Não que a pisada de Armstrong e seus companheiros também não tenha gerado milhões de passos, especialmente no campo da ciência natural.

Acontece que ela é reflexo, como a Lua o é. Reflexo do progresso da Humanidade. E nisso, os passos de José de Anchieta e de seus companheiros carregam em si, em alta potência, uma monumental evolução humana, um avanço espetacular daquela ciência que nos é primordial: a ciência de nossa Humanidade, fundada sobre a riqueza da nossa multiplicidade.

Esse conhecimento do humano, não como um mero objeto, externo a nós como a Lua ou um solo que se pisa, apenas. Mas, como uma ciência de si e, portanto, de nós, como próximos. Isto é, daquilo que nos é próprio: a nossa complexa humanidade. E foi isso, exatamente, o que nos permitiu chegar à Lua. O Humano, propriamente na sua condição, assim, tornou-se capaz de produzir tal ciência, ao ponto de pisarmos a Lua.

Em outras palavras, podemos seguramente intuir que na pisada estática de Armstrong está, como que justaposta, a pisada dinâmica de Anchieta.

Logo, sem a anterior pisada de Anchieta certamente a pisada de Armstrong não seria a mesma. Talvez nem a tivéssemos, sabe-se lá.

Se em ambos encontramos a coragem da aventura profunda, sobre o espaço atlântico ou rumo ao sideral, aquela jornada para além do encontrar um novo território, mecanicamente conquistado, o mais importante é que, também nós, pisemos Novos Mundos, como eles, ainda hoje.