Amar e servir: o legado de São José de Anchieta, padroeiro dos catequistas

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”.

Mc 16,15

O jovem José de Anchieta viveu plenamente a missão que Jesus Cristo Ressuscitado confiou aos seus apóstolos.

No mistério amoroso da misericórdia de Deus que se manifesta em seus filhos, de forma particular na vida dos santos, Anchieta tocou um novo mundo, encontrou homens e mulheres de uma cultura diferente, e viu que eram, para o seu tempo, novas criaturas, porém já conhecidas e amadas por Deus.

São José de Anchieta evangelizou essas terras. Trouxe a Boa Nova do amor de Deus. Promoveu o encontro de Cristo com novas culturas, respeitando-a e purificando-a, à luz do Evangelho, quando necessário.

Isso é evangelizar, fazer conhecer o Amor que perpassa toda a realidade humana.

Assim, evangelizando, também foi catequista. Mesmo com saúde frágil, cuidava dos enfermos. Diante de uma nova língua, aprendeu. Aos que não conheciam a fé da Igreja, instruiu com amor. Esteve sempre disponível.

Às vezes estando dormindo me vêm a despertar, para fazer-me perguntas; e em tudo isto parece que saro, e assim é, porque em fazendo conta que não estava enfermo comecei a estar são.

São José de Anchieta
Carta de São Vicente, 1554

Amor e serviço

Dois são os marcos da catequese de Anchieta: reconhecer a dignidade e o valor do outro; e ensinar com a própria vida.

Anchieta entregou a pérola da sua vida aos indígenas. Todas as suas faculdades, todas as habilidades que Deus lhe confiou, Anchieta as colocou a serviço do outro. Reiteramos, um outro até então desconhecido e por isso tratados por muitos como coisa e não como pessoas.

Anchieta elevou em dignidade aqueles desconhecidos que encontrou. Viu neles a face de Cristo. Enxergou no outro, no diferente, alguém igual a ele. Pois eram filhos do mesmo Pai.

Exemplo de catequista e educador, Anchieta o é porque acreditou nas pessoas.

Manuscrito dos votos de José de Anchieta ao entrar na Companhia de Jesus.

O legado de Anchieta para um catequista, hoje

Ao olhar para a espontaneidade da criança, para a timidez do adolescente, para a inquietude do jovem, para a agitação do adulto, para os passos lentos do idoso, um catequista deve olhar como Anchieta os olhou: como pessoas com dignidade e para as quais me dedicarei por completo.

Como? Primeiro amando. E o amor tudo suporta, tudo espera, tudo crê. Significa não se sentir superior. Mas, antes, reconhecer que é preciso aprender deles qual é o tempo de cada um. Qual a necessidade de cada um.

Um exercício para reconhecer também as nossas limitações, e como Deus não nos criou para a imperfeição. Dóceis à Sua divina vontade, somos também nós favorecidos com o crescimento nas virtudes necessárias para amar a Deus com todas as nossas forças.

Quem quiser reformar o mundo, comece por si mesmo.

Santo Inácio de Loyola

Ensinar também pressupõe saber. E saber pressupõe conhecer. E se apenas conhecemos aquilo que amamos, um catequista deve amar a Deus e a Igreja. Somente assim sua vocação de serviço será completa.

Amar e servir. Eis o legado de Anchieta, padroeiro dos catequistas.

O tempo da graça

Instrui e Deus colherá os frutos a seu tempo. Talvez o próprio catequista não veja os frutos. Ou caia na tentação de querer uma resposta rápida.

Também nisso Anchieta é modelo.

Ao sair de Portugal doente, sem perspectiva de uma longa vida, dizia que se fosse capaz de ensinar apenas um Pai Nosso e uma Ave Maria estaria feliz. Teria cumprido sua missão. Nessa simplicidade, mas com total empenho de viver para ensinar com a própria vida, Anchieta lançou as bases de uma nação, como disse o Papa Francisco.

Anchieta tinha a dificuldade da língua, como muitas vezes um catequista tem ao lidar com faixa etária distinta, com culturas diversas. Mas veja, Anchieta primeiro instruiu com a vida. Foi modelo de santidade para os novos povos.

Deus em sua infinita misericórdia confiou ao Brasil um modelo de santidade para os primeiros cristãos desta terra. É a beleza do mistério de Deus. Se encontrei a Cristo e quero amar e segui-lo, quero deixar tudo e viver para ele. Como faço isso?

Essa pergunta é comum ainda hoje para os que vivem a experiência do encontro com Cristo.

O jovem José de Anchieta chegou ao Brasil com apenas 19 anos.

Amar e servir. Quando necessário, falar.

Há mais de 400 anos tivemos um modelo de santidade. Os primeiros cristãos dessa terra viram o Padre José de Anchieta. No contexto da sua época, viveu a plenitude do amor a Deus. O odor da santidade da vida de Anchieta foi seu catecismo.

Todo catequista é chamado a viver aquilo que ensina. E se são os pais os primeiros catequistas, a família é o local propício para ensinar aos filhos a viverem para Cristo.

Olhando nos olhos. Amando. Respeitando. Corrigindo com ternura e firmeza. E se preciso, falando.

São José de Anchieta, padroeiro dos catequistas, rogai por nós.

Monumento no pátio do Santuário Nacional de São José de Anchieta.

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