O caminho que Anchieta não fez

Ontem, 13 de julho, José de Anchieta chegava ao Novo Mundo.

Hoje, Bruno, tu vais para o Velho Mundo.

São José de Anchieta, jovenzinho, sabia que do Velho para o Novo saía, para não mais pisar o Velho. Sabia que, em Cristo, é justo e necessário colocar-se sempre em saída.

Sabia que o Velho mundo deixava, em tudo, para um Novo Mundo abraçar.

Paradoxalmente, deixando o Velho, abraçou o Mundo; todo ele, fazendo-o todo Novo.

Novo, porém, para o próprio padre Anchieta, de certo modo, seria o caminho de volta. A volta que, para maior Glória de Deus, Ancheita não fez.

Mas não o fez por uma razão. Uma razão que ainda brota do coração do próprio Anchieta:

Para que Bruno, agora, o faça!

Para que o Novo – que não pode deixar de vir – nos passos do Grande Anchieta, pise, agora, por seus pés, Bruno, o Velho. E pise levando o Monumental José de Anchieta, agora como que velho, a caminho dos 500 anos, mas que nunca perde o frescor do Novo.

Vai Anchieta, levando Bruno sobre os ombros, porque o Velho Mundo precisa ser abraçado pelo Novo Mundo. Vai Bruno, levando o abraço de São José de Anchieta e seus companheiros.

Depois, esperamos, virá o momento de repisar os passos atlânticos de Anchieta, fazendo, então, o mesmo caminho que ele fez, pois esse nosso Mundo, aqui, precisa de jovens, como tu, para permanecer Novo.

13 de julho: o santo dia que acolhemos Anchieta.

Os ventos sopraram as caravelas. Anchieta e seus companheiros jesuítas partiram sabendo que não voltariam à sua terra de origem.

O novo mundo não era apenas aquelas novas terras encontradas, o novo mundo era a manifestação do poder de Deus, da sua criação e por isso da sua glória. Era preciso, então, ir para a maior glória de Deus.

Novos tempos, novas respostas

Os confins do universo tinham ficado maiores, o mundo parecia ser um pouco mais espaçoso, nasciam novas nações.

Ide por todo o mundo e pregai o evangelho.

(Mc 16,15)

Cabia à geração de Inácio, Francisco Xavier e Anchieta cumprir e atualizar a ordem de Jesus. Dar uma nova resposta, fazer algo inédito, como é próprio do Espírito Santo que torna criativos aqueles que são dóceis ao seu movimento.

A criatividade em Anchieta

São José de Anchieta transpôs as barreiras da diferença e da indiferença. Entrou de cabeça, e também de coração, para compreender a indizível novidade que encontrara nestes povos e nestas terras.

A partir do que conheceu, realizou feitos incríveis.

Como os indígenas falavam outra língua, fez uma nova gramática. Como lhes agradava a música e a dança, fez o teatro. Se eles eram, Anchieta transformou em somos.

Dia de devoção

Com apenas 19 anos, José de Anchieta chegou ao Brasil no dia 13 de julho de 1553, na cidade de Salvador, Bahia, após uma viagem que durou dois meses.

Uma vinda sem regresso. A resposta de sua vida ao chamado de Deus se cumpriu na Terra de Santa Cruz.

A chegada nos marca! Por isso, acolher é receber o outro com amor e gratidão. Foi assim que Anchieta manifestou seu amor à Santa Mãe de Deus ao dedicar a ela um poema por ocasião da chegada da imagem da Imaculada Conceição, na inauguração da igreja de Santa Ana na Aldeia de Guaraparim.

Em um trecho desse poema, Padre Anchieta escreveu assim à Maria:

Após seres grande,
serás mãe de Deus.

Hoje, para fazer memória dos 466 anos da chegada de Anchieta ao Brasil, e aprendendo contigo o bem usar da língua para beleza, nós dizemos a ti, São José de Anchieta:

Após seres grande,
fostes nosso pai.

13 de julho: o santo dia que recebemos o Apóstolo do Brasil, o Poeta da Virgem Maria, o nosso Padroeiro.

Eu preciso de companhia! E nós?

Escrito originalmente em italiano pelo jovem padre jesuíta Bruno Franguelli, o livro José de Anchieta, Um poeta apaixonado pelo reino, chegou ao Brasil publicado pelo Programa Magis Brasil, responsável pelo acompanhamento das vocações jesuítas.

Resultado de uma ampla pesquisa e de uma profunda admiração, a vida de São José de Anchieta é contada de forma direta, próxima e inspiradora.

Ser jesuíta é ser como São José de Anchieta.

Padre Bruno Franguelli, SJ
O novo livro pode ser encontrado no Santuário Nacional de Anchieta, nos Centros, Casas e Espaços Magis de todo país e também no site da editora Loyola.

José, conhecido

Conhecer a vida dos santos jesuítas faz parte do caminho de discernimento vocacional dos jovens que procuram a Companhia de Jesus.

Contudo, a experiência literária produzida pela leitura desta breve biografia fomenta o desejo santidade na vida cotidiana, sobretudo diante dos nossos limites.

José, amado

A narrativa apresenta detalhes que nos aproximam do seu personagem principal e que fazem, ao final, que José de Anchieta se torne um amigo.

Somos surpreendidos pelos sentimentos. O coração fica apertado quando as “mãos e olhares apaixonados comunicam despedidas”.

As mãos de José se perdiam diante de numerosas mãos. No fundo, José sabia que aquela despedida era definitiva. Nunca mais seus olhos veriam o que agora contemplavam.

p.31

Faz-nos sentirmos pobres diante da nobreza deste homem.

Anchieta, com sua batina preta rasgada e suja de lama, avançava pelo caminho, provavelmente sentindo fortes dores nas costas que se mostravam ainda mais encurvadas.

p.48

Ficamos sensíveis às sutilezas do texto. No planalto de Piratininga, hoje São Paulo, havia apenas uma cabana.

Os mais jovens prepararam um digno altar, buscaram típicas flores da região, auxiliados pelos indígenas que aí viviam. E celebraram a Eucaristia pela primeira vez naquele lugar.

p.49

Experimentamos a compaixão diante da tristeza grafada em suas cartas pela morte de um amigo.

Foi o nosso principal amigo e protetor, não só benfeitor, mas ainda fundador e conservador da casa de Piratininga e de nossas vidas.

p.49

Percebemos o odor de santidade que se propaga da vida dos santos. Mesmo doente, levanta-se. Cuida do próximo. Até o fim.

Quando dava seus lentos passos para servir a este irmão, sofreu um ataque que pôs fim a sua vida.

p.66

José, imitado

O esplendor da santidade de José de Anchieta ilumina o nosso tempo. A canonização há 5 anos, após 400 anos de sua morte, por um outrora jovem jesuíta, hoje um jesuíta Papa, chamado Francisco, revelam o tempo propício da vocação jesuíta.

O Espírito Santo nos impulsiona. O Evangelho é sempre novo. A resposta de Deus se atualiza na vida da Igreja através do sim de homens e mulheres de cada época.

Mas hoje o mundo não é diferente?

Ainda jovem, cruzou mares e desafiou os limites desenhados pelos mapas de até então, para estar mais próximo dos necessitados

Livro: José de Anchieta. Um poeta apaixonado pelo Reino, p.69

Hoje, os mares são cruzados e os limites dos mapas desafiados por necessitados que se aproximam. São jovens e crianças, pais e mães que chamamos apenas de refugiados ou migrantes, cujos nomes e rostos desconhecemos, exceto quando imagens chocantes são reproduzidas indiscriminadamente. Uma dura realidade do nosso tempo.

Uma resposta jesuíta

Devemos nos embrenhar na realidade com a bússola do Evangelho.

Antonio Spadaro, sj

Próximos dos desafios do nosso tempo, enraizados em Cristo, deixamos Deus responder às necessidades do nosso tempo através da nossa vida.

As respostas, Deus dará nas vocações. Nos corações que se entregarem a Ele, como Anchieta se confiou, pelas mãos de Maria, Estrela da Manhã.

Eu preciso de companhia!

Esse é o clamor silencioso da solidão e do desespero dos migrantes e refugiados; das pessoas com depressão; das crianças e dos idosos solitários, todos clamam por companhia.

Jose de Anchieta não foi indiferente, ele realmente se arrisccou, ele deu a sua resposta com todo coração. E nós?

Bruno Franguelli, SJ

Seja a resposta de Deus!

Oxalá consigas identificar a palavra, a mensagem de Jesus que Deus quer dizer ao mundo com a tua vida.

Papa Francisco
Exortação Apostólica “Gaudete et Exsultate”

Considere pensar se a sua vocação é dizer como Anchieta: sou da Companhia de Jesus, para Maior Glória de Deus.

†

Se deseja conhecer a Companhia de Jesus entre em contato com os jesuítas da sua cidade ou pelo e-mail vocacao@jesuitasbrasil.org.br

Os ventos que levaram a um voo inédito na Festa do Padroeiro do Brasil

Rodolpho Cavalini e André Alvarenga foram os primeiros pilotos a voarem de parapente desde a rampa de voo livre no município de Alfredo Chaves até a Praia Central de Anchieta.

Os pilotos percorreram uma distância livre de 20 km em 1 hora e 20 minutos, atingiram 1000 m de altitude e alcançaram uma velocidade de 48,5 km/h. De parapente, os pilotos ainda sobrevoaram o histórico Santuário de Anchieta, durante a festa do Padroeiro da cidade e do Brasil.

“Fazer um voo inédito gera nos pilotos o desejo de explorar novas rotas, superar seus limites técnicos e dos seus equipamentos”.

Rodolpho Cavalini

O desafio era o destino

Os pilotos decolaram no dia 16 de junho, início de uma tarde de outono, sabiam apenas que havia condições seguras e propícias para novos caminhos.

“Exatamente neste dia as condições estavam perfeitas para realizar uma rota pouco explorada.”

Rodolpho Cavalini

Alto Benevente: o ponto de partida

Os municípios de Anchieta e Alfredo Chaves são interligados pelo Rio Benevente. No território alfredense, o rio ganham volume e deságua na Praia Central de Anchieta. Exatamente o novo destino que seria explorado por Rodolpho e André.

A Rampa de voo livre, em Alfredo Chaves, de onde partiu voo é considerada uma das mais seguras pistas de voo livre do mundo.

A rampa de Alfredo Chaves recebe pilotos de todo o mundo há mais de 37 anos e nunca tivemos registro de um pouso na Praia Central de Anchieta.

Rodolpho Cavalini

Foz do Benevente: sobrevoar um lugar histórico

Próximos da aterrissagem, os pilotos avistaram um monumento histórico de grande importância para a história do Brasil: o lugar onde morreu São José de Anchieta, aos 63 anos, em 1597. O Santuário Nacional é dedicado ao Apóstolo e Padroeiro do Brasil, que foi canonizado em 2014 pelo Papa Francisco.

Vista aérea do Santuário Nacional de São José de Anchieta, localizado à 80km da capital Vitória. Ao fundo, a foz do Rio Benevente.

Ventos favoráveis

O rumo desse voo inédito que sobrevoou o Santuário não foi definido previamente pelos pilotos. A definição aconteceu durante o voo. “Ao lado do morro do Urubu, decidi mudar de rota e pousar na Praia Central de Anchieta, uma vez que nunca havia pousado lá”. explicou Rodolpho, que pratica o esporte há 23 anos.

“A direção e velocidade do vento, as térmicas estavam perfeitas para realizar essa rota e chegar até a Praia Central”.

Rodolpho Cavalini

No ar, ventos favoráveis os levaram à realizar este feito inédito na Festa de São José de Anchieta, que também era chamado Padre Voador.

Curiosidade: Anchieta, Padre Voador

Padre Anchieta chegou ao Brasil, em 1553. Com 17 anos, seguiu pelo mar a perigosa e incerta rota do Novo Mundo, apesar da saúde frágil.

Sentia fortes dores nos ossos, causadas por uma tuberculose óssea. Por isso, andava sempre a pé. Com uma agilidade extraordinária, percorria quilômetros em segundos. Esta é a razão pela qual os registros da época mostram que Anchieta era chamado pelos indígenas de Padre Voador.

Uma decisão nas alturas

O piloto Rodolpho Cavalini não estava sozinho. A decisão de explorar uma rota inédita deveria ser confirmada pelo seu companheiro de voo. O piloto André Alvarenga, que o acompanhava em outro parapente, prontamente aceitou o desafio, apesar da diferença de altitude em que se encontrava.

Leia agora o empolgante relato dessa decisão nas alturas.

Rodolpho Cavalini e André Alvarenga após aterrissagem inédita na Praia Central de Anchieta.

Um relato emocionante

No dia 16 de junho fui para Alfredo Chaves voar como de costume, já havia combinado com o Rodolpho Cavalini de voarmos juntos. O dia estava lindo, céu azul com nuvens que mais pareciam algodão doce.

Decolamos e logo ganhamos altura, desde o início tínhamos em mente fazer um voo diferente.

Em pouco tempo já estávamos sobrevoando a BR 101, o vento e as nuvens mostravam que o caminho a seguir seria para Guarapari. Porém, o Rodolpho me chamou no rádio.

Perguntou se eu aceitava o desafio: tentar pousar em Anchieta. É lógico que aceitei! Então o voo ficou cada vez mais difícil.

Pegamos a última térmica no Monte do Urubu, de lá já dava para contemplar o imenso manguezal de Anchieta. Este seria meu maior desafio, eu não tinha altura suficiente, o Rodolpho estava mais alto e saiu na frente, fui mais baixo e logo atrás.

Pensei em desistir.

Mas vendo o Rodolpho já em cima da praia e muitos pássaros sobrevoando o Santuário Nacional de São José de Anchieta, resolvi arriscar.

Passei muito baixo sobre a cidade e sobrevoar o Santuário foi a parte mais bonita desse voo inédito de Alfredo Chaves até Anchieta.

Obrigado São José de Anchieta!

André Alvarenga, piloto e instrutor de parapente

A rota e as imagens desse voo de parapente inédito

Voo inédito da Rampa de voo livre de Alfredo Chaves alcança a Praia Central de Anchieta e sobrevoa o Santuário Nacional durante a Festa Nacional do Apóstolo e Padroeiro do Brasil,

Os passos de Anchieta e a Cruz de Cristo

“E vós, quem dizeis que eu sou?” (Lc 9,20). A pergunta de Jesus aos apóstolos no Evangelho moveu o coração dos discípulos a uma resposta. Pedro toma a frente e responde “Tu és o Cristo”.

Então Jesus dirige seu olhar aos apóstolos e lhes diz: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e me siga” (Lc 9, 23).

Há, então, a necessidade de uma nova resposta. Mas como responder a esta ordem? Os apóstolos responderam com a vida. Levaram a sua cruz, cotidianamente.

Morrer para si e viver para Cristo.

Se desde o início da Festa do Apóstolo e Padroeiro do Brasil somos motivados a conhecê-lo para amá-lo mais e imitá-lo, certamente as peregrinações, especialmente feitas a pé, são uma experiência prática dos esforços que fizera outrora Anchieta nestas terras.

A fragilidade da saúde do jovem Anchieta foi uma cruz. Uma dolorosa tuberculose óssea o impedia de andar a cavalo, por isso andava sempre a pé.

O apóstolo do Brasil tomou a sua cruz. A dor nos ossos. E seguiu. Caminhando.

E deste caminho de cruz, Deus fez grandes coisas. Desta dor, fez remédio. Desta exigência fez milagres. Anchieta não teve sua dor curada, mas levou, e ainda leva, o remédio de Deus a muitos. Porque no seu testemunho está a Cruz de Cristo.

Relatos dos peregrinos e devotos de Anchieta

“Aqui viveu o Apóstolo do Brasil!”

Exclamou com os braços abertos, senhor Dario, de Rio das Ostras, Rio de Janeiro, que participou dos Passos de Anchieta pela primeira vez. “A vida dos santos sempre foi uma vida dura e simples”, disse.

De Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Luciana, participou pela oitava vez da peregrinação, e Dario com sua esposa Maria, vieram pela primeira vez.

Caminho

Caminhar exige esforço. Trata-se de uma experiência pessoal, na qual as forças tem origem em Deus.

“Não tenho palavras para explicar a alegria do reencontro ao chegarmos ao Santuário. Saímos da Catedral e nos encontramos aqui depois de quatro dias de uma caminhada na companhia de Deus”.

Irineu, de Alfredo Chaves-ES, mostra o certificado da décima nona peregrinação dos Passos de Anchieta.

Amizade

“Foi difícil, mas ao chegar aqui tenho vontade de fazer tudo novamente”

As amigas partilharam a caminhada juntas. Isabel, vindo pela segunda vez disse ter encontrado ainda mais entusiasmo entre os participantes deste ano. Já a jovem Vanessa, estreante nos Passos, feliz com a experiência deseja voltar.

Isabel Santos e Vanessa Calais são de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Argentina

Do extremo sul da Patagônia para Anchieta, o grupo de argentinos foi recepcionado com muita festa.

“Fizemos 100m da caminha e fomos recebidos com muitas palmas. Estamos impressionadas com a acolhida”.

Argentinas de Rio Gaillegos, no extremos sul da Patagônia Argentina. Vieram conhecer o Santuário Nacional, a Festa e a acolhida dos peregrinos.

Portugal

“Foi muito significativo conhecer o lugar onde morreu São José de Anchieta. Desde muito pequenos conhecemos e estudamos Anchieta e os jesuítas”.

Manuela Castro é natural de Sintra, Portugal, e participou da peregrinação pela primeira vez.

Conhecer Anchieta, santo

“Tenho o desejo de conhecer mais Anchieta como santo.”

Iris Fernandes Aleixo (ao centro) veio de Maringá, no Paraná. Participou pela segunda vez da peregrinação.

Dia de Festa

Durante todo o dia peregrinos e devotos de Anchieta chegam ao Santuário Nacional e encontram música, oração e acolhida.

Manifestações culturais típicas como Capoeira e Jongo animaram a manhã de domingo.

Água benta para receber os peregrinos na chegada ao Santuário.

Acolhida com alimento, água e cuidados médicos.

Anchieta inspira arte. O Santuário, as praias e os escritos de Anchieta inspiram o artesão Alberto Sena.

Os peregrinos dos Passos de Anchieta percorreram 100 km a pé em 4 dias de caminhada desde a Catedral Metropolitana de Vitória-ES, até o Santuário de Anchieta. Este ano chegou à 22ª edição.

A Romaria dos Devotos de Anchieta percorreu um trecho de 18 km. Saindo de Jabaquara, interior do município de Anchieta, os romeiros expressam sua devoção ao Apóstolo e Padroeiro do Brasil em uma caminhada que tem início na madrugada do dia em que se encerra a Festa Nacional de São José de Ancheita.

A Santidade foi o ostensório de São José de Anchieta em seus passos

Passos deixam marcas. Agora, os peregrinos caminham seguindo as marcas deixadas pelos passos de São José de Anchieta. Jesus Eucarístico sai às ruas. À vista de todos deixa suas marcas nas almas que o contemplam e também nos tapetes cujos passos o sacerdote percorre para O conduzir no ostensório.

Com que cuidado e dedicação os tapetes são confeccionados! Quanta beleza há no percurso dos Passos de Anchieta. Quão bela é a criação de Deus, certamente se pode exclamar. Beleza de Deus!

Deus, sumo Bem, deixa suas marcas no belo. Beleza que reflete seu divino criador. Beleza que contemplamos, beleza que tentamos imitar. A mesma beleza que reconhecemos nos pés do mensageiro que anuncia a paz (Is 52,7).

Com seus passos, Anchieta levou a Eucaristia a muitos lugares. Por isso é tão significativo que os Passos de Anchieta tenha início no dia de Corpus Christi. É a providência a nos ensinar por Quem caminhamos.

Quantas vezes Padre Anchieta levou a Eucaristia aos lugares que hoje percorremos? Nesses lugares, teria chegado, teria sido vista e recebida a divina comunhão pela primeira vez, pelas mãos do Apóstolo do Brasil? O amor marcou os seus passos. E em seus passos, a santidade foi o seu ostensório.

Os peregrinos percorrem 100km entre a capital do Espírito Santo, Vitória, até o município de Anchieta, onde está localizado o Santuário Nacional de São José de Anchieta
Beleza aparente, beleza escondida.

O esplendor da Beleza é o próprio Deus, cujo rosto é Jesus. Nos passos, na areia, nos tapetes, na vida dos santos, na vida dos mais frágeis, como das crianças, dos idosos e também dos desconhecidos.

Neste ano de 2019, a solenidade de Corpus Christis foi celebrada no mesmo dia, 20 de junho, em que se comemora o Dia Mundial dos Refugiados. Por isso, Papa Francisco escreveu “Jesus se fez pão partido para nós, e nos pede que nos doemos aos outros, que não vivamos mais para nós mesmos, mas uns para os outros”. Anchieta viveu para o outro. Doou a sua vida. Foi ao encontro daqueles que eram desconhecidos, para ele, mas não de Deus.

Nas procissões solenes, nos passos de Anchieta, na nossa caminhada, não teríamos nós também encontrado imigrantes ou refugiados? Teríamos nós tentado descobrir a beleza escondida, onde a beleza não está aparente? São José de Anchieta, o Poeta da Virgem Maria, esforçou-se por encontrar a beleza escondida nas pessoas que encontrou nessas belas terras, até então, desconhecidas por ele.

Tweet do Papa Francisco no dia de Corpus Christi que neste ano foi celebrado dia 20 de junho, Dia Mundial dos Refugiados
Movimento

Em direção ao Santuário, os 04 dias de caminhada prolongam o mistério que celebramos em Corpus Christi.

Celebrar a festa de um padroeiro é reconhecer a vida santa, em conformidade com a vontade de Deus, que levou aquele que hoje chamamos de santo. Comemorar a santidade é, portanto, o reconhecimento de uma festa que não tem fim.

A Festa Nacional de São José de Anchieta terminará com os Passos de Anchieta que teve seu início na Festa da Eucaristia. Não haveria maneira melhor de coroar a festa do Santo Apóstolo e Padroeiro do Brasil: celebrar o tesouro que trouxe para estas terras, a Eucaristia, isto é, o próprio Cristo.

São José de Anchieta, caminhe conosco e ajude-nos a seguir os seus passos.

São José de Anchieta representado nos Tapetes da procissão de Corpus Christi em Alfredo Chaves.

Um olhar apostólico na Missa Solene de São José de Anchieta

O olhar atento do pastor, o sorriso que reflete a alegria do Evangelho, a benção que transmite a paz, as pausas em seus passos para atender a quem lhe pede uma oração. Ou uma foto, que no tempo de Anchieta ainda não existia. Porém, o desejo de perpetuar momentos de beleza, numa tentativa de fixar diante dos nossos olhos a Graça, isso sempre existiu.

Assim, podemos dizer que a passagem de Dom Dario, na noite santa que celebrou São José de Anchieta, foi um acontecimento que trouxe para diante dos nossos olhos, e das câmaras, uma imagem de como Padre Anchieta fora acolhido e acolhedor, esteve próximo e se aproximou, recebeu afeto e distribuiu imenso carinho. Interrompido em seus passos, sem reclamar, viveu o que está escrito “Assim, livre em relação a todos, eu me tornei escravo de todos” (1Cor 9,19) ou ainda “com os fracos, eu me fiz fraco. Com todos, eu me fiz tudo.” (1Cor 9,22).

“Em que consiste o meu salário? Em pregar o Evangelho, oferecendo-o de graça, e sem usar os direitos que o evangelho me dá”.

1Cor 9,18
Dom Dario acolhe as crianças que participaram da Missa.

O Arcebispo de Vitória partilhou duas reflexões: uma pela festa da Santíssima Trindade, que a liturgia celebra neste domingo, e pela festa de São José de Anchieta, cuja Missa solene foi transferida para o dia 15, pois neste ano, dia 09, coincidiu com a solenidade de Pentecostes.

A Missa foi transmitida pela TV Século 21. Na foto os reitores do Santuário e Dom Dario ao lado do responsável pelas transmissões.
Viver a vida da Trindade: Unidade

“Comunidade significa unir o que é comum e respeitar o que é diferente”, explicou Dom Dario.

“Unidade não significa uniformidade” afirmou o arcebispo. A confusão entre os termos pode levar ao desrespeito, e por isso, ao oposto da vida em comunidade.

O tesouro de Anchieta

Temos um compromisso com as gerações futuras. Que este Santuário, esta cidade, sejam testemunha de um homem que doou sua vida pela nossa terra, pelo nosso Brasil.

Dom Dario

“O município de Anchieta guarda um tesouro inesgotável para o nosso Brasil” disse o arcebispo.

O tesouro é “a história e a memória de um homem que se fez um junto com os índios. Viveu como eles. Aprendeu sua língua. Trouxe a mensagem da paz”, concluiu Dom Dario.

Ave-Maria em Tupi escrita e cantada na Missa.
A simplicidade que nos une

“Jesus não os escolhe porque são santos, mas os escolhe porque são simples.”

Dom Dario Campos

É a simplicidade que nos faz abertos à graça de Deus.

No Evangelho, Pedro, obediente a Jesus, lança as redes que voltam repletas de peixes. Diante de tão grandes mistérios, a simplicidade de Pedro diz “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” (Lc 5,8).

“Cristo jamais se afasta do pecador. Somos nós que, envergonhados do nosso pecado, nos afastamos de Jesus de Nazaré”, explicou Dom Dario.

Anchieta, viveu na simplicidade. Veio para essas terras trazendo uma única riqueza: o amor de Jesus de Nazaré.

“Quem ama vai, quem ama convive, quem ama ensina, quem ama ouve. Enfim, quem ama celebra a vida. Quem ama respeita a casa comum, a natureza”, disse o arcebispo.

“Quando se tem amor no coração, torna-se eterno. É por isso que São José de Anchieta é eterno”.

Dom Dario, concluiu sua reflexão com um festivo: Viva São José de Anchieta!

Viva!


Porque a Missa Solene foi celebrada dia 15. Neste ano, a data da memória litúrgica de São José de Anchieta, dia 09, coincidiu com o domingo da solenidade de Pentecostes. A Missa solene de Anchieta foi então transferida para o sábado seguinte, dia 15 de junho.

Uma resenha da Festa Nacional de São José de Anchieta

A Festa Nacional de São José de Anchieta de 2019 teve início no dia 01 de junho e seguirá até o dia 23 com a chegada dos andarilhos que realizam a peregrinação dos Passos de Anchieta.

Missa solene – Dia 15/06 às 17h

A celebração da Missa solene em honra a São José de Anchieta foi transferida para hoje, sábado, dia 15 de junho, pois a memória litúrgica celebrada dia 09 de junho, neste ano, coincidiu com o domingo em que se celebrava a solenidade de Pentecostes, por isso foi necessária a mudança de data. Tal exigência expandiu ainda mais os festejos e acontecimentos que já tornaram a festa deste ano inesquecível.

Relembre os acontecimentos da Festa

Lançamento do Devocionário de São José de Anchieta

Em menos de um mês já entrou na terceira reimpressão. A Novena rezada este ano está disponível no devocionário, que pode ser encontrado na lojinha do Santuário, nas livrarias credenciadas e no site da Editora Santuário.

Com orações e textos escritos pelo Apóstolo e Padroeiro do Brasil, o devocionário de São José de Anchieta é um presente para que “nosso santo seja mais amado, conhecido e imitado”, como explicou o sacerdote jesuíta, Bruno Franguelli, que organizou o devocionário.

Procissão Luminosa

A Procissão luminosa abriu a Festa Nacional do Apóstolo e Padroeiro do Brasil. Em 13km de distância, mais de 400 anos de história, milhares de passos, centenas de pessoas iluminaram as trevas com a luz das velas e dos louvores entoados a Deus.

Carreata com a relíquia de Anchieta

Foram aproximadamente 3 horas que prepararam o coração das pessoas e as ruas da cidade. Uma experiência capaz de reavivar a esperança que neste lugar se manifesta fortemente nas peregrinações ao Santuário, em razão da Festa de São José de Anchieta.

Novena com o Devocionário de Anchieta

09 dias de oração em preparação para a Missa Solene

06 paróquias convidadas para presidir e animar a celebração da Missa

04 Romarias entre elas, das crianças, dos jovens do EJC, do apostolado da oração e terço dos homens.

Benção das Rosas de São José de Anchieta

Benção da água de São José de Anchieta

Festa Junina e quermesse

Para Anchieta ser mais conhecido, amado e imitado

Durante esses dias foi possível conhecer melhor os títulos de Anchieta e porque o Santuário Nacional de Anchieta é um lugar santo de peregrinação.

Anchieta, Poeta da Virgem Maria

Poema da Virgem Maria, composto por Anchieta, foi escrito na areia da praia durante o período que permaneceu refém. Com mais de 6 mil estrofes é o maior poema mariano já escrito.

Anchieta, Apóstolo do Brasil

No dia do seu sepultamento, Anchieta foi aclamado como Apóstolo do Brasil. Em 1597, na Igreja de São Tiago e residência dos Jesuítas, hoje Palácio Anchieta, sede do governo, em Vitória-ES.

Santuário Nacional de Anchieta: lugar santo e de peregrinação.

Lugar santo e de peregrinação porque aqui um grande santo da Igreja viveu uma espiritualidade que é modelo para uma vida santa.

Fato histórico

A Festa Nacional de Anchieta de 2019 teve com momento histórico: a Missa celebrada no túmulo de Anchieta

Desde a expulsão dos jesuítas dos Reinos de Portugal em 1759, não há relatos de que os padres jesuítas tivessem voltado àquele lugar santo para celebrar a Eucaristia.

Homenagens

No dia 09 de junho, dia de São José de Anchieta, a homenagem dos devotos, das crianças, dos jovens e dos motociclistas.

Presença indígena

Índios, outrora protegidos por Anchieta, prestam a ele sua homenagem. Índios Tupiniquins de Caieiras Velha, aldeia localizada no município de Aracruz, norte do Espírito Santo.

Reconhecimento

Comenda São José de Anchieta é concedida ao vice-reitor do Santuário.

Bruno Franguelli, vice-reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta recebeu a distinção de honra concedida ao cidadão que se destacou na luta pela igualdade de direitos, conscientização, liderança, capacidade de conciliar conflitos e pelo resgate da dignificação das pessoas.

Apóstolo do Brasil: o primeiro título de Anchieta

Anchieta, Apóstolo do Brasil. No último dia da novena, o primeiro título de Anchieta. Andarilho, uma única vez seu corpo fragilizado pela tuberculose óssea recebeu auxílio para caminhar na Terra de Santa Cruz. O percurso: da sua cela na igreja da Assunção, em Reritiba (hoje Santuário Nacional de Anchieta, em Anchieta) até a igreja de São Tiago, casa dos jesuítas, em Vitória (hoje, Palácio Anchieta, sede do governo estadual em Vitória).

Por 04 dias, aqueles a quem ofereceu sua vida, levaram seu corpo sem vida. E foram eles, as testemunhas de sua santidade em vida, que reconhecera em sua morte o início de sua vida na Pátria Celeste. Anchieta foi sepultado como santo, aclamado Apóstolo do Brasil pelo Bispo que celebrou suas exéquias.

440 anos depois, no mesmo lugar onde viveu e morreu, no Santuário Nacional de São José de Anchieta, concluímos a novena em sua honra, aclamando-o como São José de Anchieta, Apóstolo e Padroeiro do Brasil.

Fato histórico na Festa de Anchieta em 2019

O último dia da novena, portanto, está relacionada a um fato histórico ocorrido nesta Festa Nacional de São José de Anchieta de 2019.

Padre Anchieta foi declarado Apóstolo do Brasil no dia do sepultamento, em 1597, na Igreja de São Tiago, hoje Palácio Anchieta, sede do governo, em Vitória-ES.

Depois de 260 anos os jesuítas voltam ao local onde Anchieta foi proclamado Apóstolo do Brasil e celebram a Missa ao lado do túmulo.

Desde a expulsão dos jesuítas dos Reinos de Portugal em 1759, não há relatos de que os padres jesuítas tivessem voltado àquele lugar santo para celebrar a Eucaristia.

A conclusão da Novena em honra a São José de Anchieta em preparação para a Missa solene do Santo Apóstolo e Padroeiro do Brasil foi uma síntese das grandes graças que Deus realizou nestes dias.

Conclusão da Novena e Missa

Quando olhamos para os santos nós vemos não somente os nossos intercessores, mas os exemplos que devemos seguir.

Padre Bruno Franguelli

Padre Bruno Franguelli, recordou ao final da novena que “celebrar Anchieta Apóstolo do Brasil é celebrar cada um de nós como apóstolos do Senhor e também nos perguntarmos: como estou fazendo meu apostolado? Estou fazendo minha vida valer a pena?”.

Padre José Passos, da Paróquia Santo Antônio, de Iconha, que presidiu a celebração da Missa após a conclusão da novena ajudou a compreender esse mistério da vida e da morte como um encontro de amor e manifestação da graça de Deus.

“Nós recebemos de Deus a graça maravilhosa da nossa própria existência. Podíamos não existir, mas Deus nos deu a vida de forma absolutamente gratuita. E ao final da nossa existência também é a graça de Deus que esperamos encontrar. Um abraço de um Pai bondoso e misericordioso que vai nos receber”, explicou.

Entre essa graça de Deus, que nos deu a existência, e essa graça de Deus que é o encontro definitivo com o Senhor nós temos o tempo da nossa vida. E na nossa vida vamos oferecer a Deus o que temos e podemos para que essa mesma graça que nos constitui se revele ao mundo.

Padre Passos

Por isso, pedimos hoje a graça “Senhor, que a exemplo de São José de Anchieta eu seja um apóstolo fiel no serviço de teu Reino de Amor”.

Anchieta, Poeta da Virgem Maria: o título escrito nas areias da praia.

“A novena de hoje tem esse cunho da espiritualidade mariana de Anchieta”, recordou o reitor do Santuário, Padre Nilson Marostica.

Aclamar Anchieta como Poeta da Virgem Maria significa tanto reconhecer as marcas que a Santíssima Virgem deixou em seu coração, como também os traços maternos que o Apóstolo transmitiu a esta nação.

Uma das principais iconografias de Anchieta retrata a escritura do Poema da Virgem Maria.

O Poema da Virgem Maria, composto por Anchieta, foi escrito na areia da praia durante o período que permaneceu refém dos índios em Iperoig – hoje cidade de Ubatuba, durante uma negociação de paz. Com mais de 6 mil estrofes é, ainda hoje, o maior poema mariano já escrito.

As marcas na areia da praia eram sinal da sua consagração à Imaculada Mãe de Deus e da sua confiança filial na proteção materna da Virgem Maria. Pois, as fortes ameaças e tentações sofridas no período de cativeiro fizeram-o se entregar ainda mais à devoção mariana.

“Ainda como noviço, havia feito um voto de pureza: dedicar seu amor somente à Mãe de Deus.”

Espiritualidade mariana presente também na dedicação das igrejas e nas peças teatrais que produziu. Padre Nilson conclui a oração e reflexão da novena parafraseando uma peça teatral de Anchieta: “Quem sabe com as palavras da Virgem o nosso coração se converta? E Nossa Senhora nos venha visitar esta noite para dizer assim: sigam meu Filho.”

Homilia – Dia de Santo Antônio

Após a novena, Padre Ermindo da Paróquia São José, de Guarapari, presidiu a santa Missa no dia que a Igreja faz memória litúrgica de Santo Antônio.

Recordou que “Santo Antônio, como franciscano, viveu profundamente sua consagração a Deus” e que “São José de Anchieta, jesuíta, foi um grande pregador da palavra de Deus”. Assim, cada um com seu carisma, seu modo de viver a palavra de Deus, chegou à santidade.

“Nós também temos, cada um, a sua missão. Mas todos nós somos chamados a nos aproximar da palavra de Deus e romper o véu da ignorância que nos afasta da Luz que é Jesus.”

Padre Ermindo relembrou a exigência do trabalho pastoral e invocou a graça de Deus para “que o amor faça morada em nós. Assim a nossa oferta será agradável a Deus”.