Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda em Porto Seguro: 470 anos da chegada dos Jesuítas, de devoção e fé

Conforme a lista do Frei Agostinho de Santa Maria, das várias imagens devocionais da Virgem vinculadas a Companhia de Jesus, nenhuma delas se compara a imagem de Nossa Senhora d’Ajuda de Porto Seguro.

Primeiro, por ser a Igreja do mesmo período da nossa chegada ao Brasil e, segundo, por ser devoção particular essa do Pe. Manuel da Nóbrega. 

Hoje, confiada aos padres Redentoristas, a Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, Primeiro Santuário Mariano no Brasil, celebra junto à chegada da Companhiade Jesus 470 anos de história. 

Santo Inácio de Loyola nos Exercícios Espirituais, na Contemplação da Cruz (EE 63), da Encarnação (EE 102) e nas Duas Bandeiras (EE 147) concebe lugar particular a intercessão da Virgem Maria, pedindo ao Pai que nos coloque junto a seu digníssimo Filho. Conforme sua devoção, também reserva à Maria as alegrias da ressurreição (EE 219), confiando-lhe a missão de cuidar da Companhia do seu Filho. É curioso, mas, sob o olhar de Nossa Senhora d’Ajuda vem crescendo a mínima Companhia

Devoção que acompanhou Pe. Manuel da Nóbrega na sua travessia até o Brasil (nome de uma das três naus que trouxeram os Jesuítas em 1549), que recebeu lugar na primeira hora da chegada dos Jesuítas (Igreja de Nossa Senhora da Ajuda em Salvador) e que encontrou pouso definitivo nesta Ermida construída em Porto Seguro (Leite. L. III, p. 18.205, 1938). Nesta cidade, cabeça do Brasil, Pe. Manuel da Nóbrega coloca sua imagem de devoção consagrando a Companhia de Jesus à proteção maternal de Nossa Senhora.

Como narra o milagre, ao dar início à construção da Igreja, tiveram de ir os operários buscar água à força numa baixada tanto para beber como para a obra nas terras de um morador, que moveu queixa contra os padres e sua construção por estarem devastando sua fazenda. 

Conforme registrado, “a paixão do dono da terra cansava mais do que carregar às costas a água morro acima para a obra da Igreja”. Como reza a prática dos religiosos, diante de tamanhas tensões, decidem recorrer à Virgem Santíssima: “Ó Senhora, se agora nos concedes aqui uma fonte, ficaremos aliviados, aquele homem assossegado, e tua obra seguirá adiante!” Diz Pe. Manoel da Nóbrega: A nós “toca ter fé, pois [com essa Senhora] nenhuma cosia é dificultosa!” (Vasconcelos, Cr. II, n.71, 1865).

Ao celebrar a missa na mesma Igreja ainda não concluída, no momento de oferecer o sacrifício do Altar, Pe. Nóbrega reconhece a ajuda que dispôs a Virgem em seu favor. Ouviu um borbulhar de água que começou a sair debaixo do Altar e correr até uma árvore próxima. Diante de tamanho sinal, vinham homens e mulheres de todo o recôncavo a fonte da Virgem d’Ajuda e, entre eles, o senhor da fazenda envergonhado por causa da bondade da Virgem que lhes dera água ainda melhor e mais doce do que eles tinham. Ficando o senhor envergonhado e deveras devoto da Virgem e amigo da Companhia. 

Há ainda outro fato miraculoso, por ocasião da invasão de índios que se precipitaram contra o Arraial d’Ajuda.  Para evitar a destruição da imagem de Nossa Senhora seu guardião decidiu enterrá-la. Conforme a fé dos moradores, tal fato trouxe muitas bênçãos e copiosa fartura ao chão do Arraial com boas colheitas para a região.

Na fé do povo, reúnem-se os elementos água eterra atribuídos a bondade de Deus e a filial ajuda da Virgem Santíssima. A fama da fonte milagrosa correu o Estado do Brasil, atraindo muitos peregrinos ao Arraial. Conforme o Frei Agostinho de Santa Maria, fonte tão virtuosa que não devia a de Nazaré e nem a de Loreto (n. 132, p. 254, 1722).

Sobre este Santuário também escreve São José de Anchieta: “O Pe. Francisco Pires foi Superior de muitas residências, assistindo também na de Porto Seguro, na Ermida de Nossa Senhora, que é da Companhia e, por sua ordem, e de seus companheiros se obrou, pelo mercê da Senhora abrir milagrosamente aquela fonte tão afamada por toda a costa do Brasil, em que se fizeram e faz muitos milagres de diversas enfermidades sob os que em romaria vão em busca de saúde, lá encontram. Usando da mesma água para outras enfermidades encontrando o mesmo resultado” (Vasconcelos, Cr. II, n. 72, 1865). 

A pedido do Pe. Nilson Maróstica – Reitor do Santuário Nacional São José de Anchieta, atendendo ao convite do Pe. Casimiro Malolepszy – Reitor do Santuário de Nossa Senhora d’Ajuda – Porto Seguro/BA, recomendou o Pe. Felipe de Assunção Soriano a presidência da Celebração Eucarística, no dia 14 de agosto de 2019 – Véspera Solene da Festa da Assunção – na antiga Igreja jesuítica de Nossa Senhora da Ajuda, por ocasião das comemorações dos 470 anos da chegada da Companhia de Jesus e da construção do Primeiro Santuário Mariano do Brasil.

Recife, 15 de agosto de 2019.

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