Anchieta, apaixonado por Cristo, dócil ao Espírito Santo.

“Senhor, que eu seja verdadeiramente apaixonado por Ti”, foi essa a graça pedida no quarto dia da novena em honra a São José de Anchieta. O desejo de amar a Jesus Cristo brotava do coração do jovem Poeta da Virgem Maria que escreveu estes versos: “Que eu conheça quem és! Sê meu único amante! Inteiro eu ame a ti, de coração constante!”.

Padre Nilson Maróstica, reitor do Santuário, conduziu este momento de reflexão. “Nossa vida é conhecer a Deus. Não conhecer a Deus é não viver. Aquele que cruzou o seu olhar com o Cristo Senhor, torna-se um apaixonado. Quando olhamos para o Cristo, e Ele olha para nós, esse olhar penetra profundamente a nossa alma e aí somos seres apaixonados pelo Cristo. Assim foi Anchieta, deixou sua terra, sua família, seu lar, sua tranquilidade e veio evangelizar, veio dizer para o povo que estava aqui e os que vieram de fora: amem a Cristo, amem a Cristo, amem a Cristo.”

Homilia da Missa da Solenidade de Pentecostes, dia de São José de Anchieta.

Após a novena, inspirados pelo amor a Jesus Cristo que Anchieta tanto propôs, teve início a Missa da Solenidade de Pentecostes, no dia em que se recorda São José de Anchieta, o mesmo dia, 09 de junho, que o Padre Anchieta, morreu, neste lugar.

“Um peregrino, Anchieta é sempre um homem em movimento. E um santo precisa ser, um homem e uma mulher, em movimento”, disse Padre Bruno Franguelli em referência os jovens do EJC que vieram de suas comunidades caminhando até o Santuário, como Anchieta tantas vezes o fizera.

O vice-reitor do Santuário leu um poema de Atenágoras, patriarca ortodoxo de Constatinopla que assim se inicia: “Sem o Espírito Santo: Deus está longe” (leia o poema na íntegra aqui). E prosseguiu sua homilia dizendo sobre o papel do Espírito Santo no mundo. Na criação, Deus sopra sobre o barro e “esse é o sopro de vida que todo homem, toda mulher, recebe de Deus.”

“Deus é Deus de todos porque é criador de cada um. E todo ser humano é criado segundo a imagem e semelhança de Deus, que é Jesus. Deus não faz distinção de pessoas porque Ele é o criador de todos”, explicou.

Na criação do mundo, do sopro nasce um homem cheio de vida. Em Pentecostes, do sopro nascem homens cheios de vida e, sem medo, com a coragem de anunciar o Evangelho.

O sacerdote jesuíta explicou como o Espírito Santo contém o que há de mais suave, delicado e mais afável em Deus. Por isso, clamamos o Espirito Santo sobre aquilo que está pesado e seco.

“O Espirito Santo vem equilibrar a razão e a emoção. E o equilíbrio tem um nome: lucidez. O Espirito nos torna lúcidos.”

Pe. Bruno Franguelli

No Atos dos Apóstolos, São Lucas relata a presença da mãe de Jesus no meio dos discípulos e que após a vinda do Espírito Santos todos começam a falar em línguas diferentes e um compreendia o que o outro falava. Diferente de Babel, onde um falava e o outro não entendia. A torre de Babel cai “porque cada um falava uma língua diferente, talvez porque cada um não queria entender o que o outro dizia”.

Na homilia, recordou ainda o avanço na comunicação que possibilita uma rápida conexão, disponível a todo o mundo. E que a conexão, no sentido da proximidade entre as pessoas, ainda é um desafio.

“Mas, será que estamos conectados? Talvez nunca estivemos tão desconectados? Nunca nos entendemos tão pouco, porque não queremos entender o outro, porque parece que o outro fala uma outra língua”, refletiu.

Surge o questionamento, e por que parece que não nos entendemos?

“Porque a linguagem do Pentecostes é o amor e se não falamos a língua do amor, da compreensão, da escuta, não conseguimos compreender um ao outro”, respondeu.

Dessa forma “ainda estamos na Babel, e na Babel nada vai para frente. Família, amizade, projetos só vão para frente se há conexão pelo amor”, concluiu.

“Isso não significa que somos todos iguais ou que pensamos do mesmo modo. Percebam! Eles falam línguas diferentes. Mas se compreendem”.

“Unidade não significa uniformidade, que todos devem ser iguais. Inclusive, não conseguiríamos. O problema não está em pensar diferente, o problema está em não estar disposto a ouvir a linguagem do amor”. explicou Padre Bruno.

“Pentecostes, a vinda do Espírito Santo é a capacidade de unir pessoas diferentes, que poderiam até estar em oposição, mas tem um sonho comum. E é este sonho que faz essas pessoas seguirem em frente”, disse.

Onde não reina o amor, Deus não tem espaço. Ainda que se fala muito de Deus. Inclusive, em lugares que não falam de Deus, mas há caridade e justiça, alí também está Deus.

“Pentecostes é isso, é deixar que o Amor de Deus nos transforme em um só corpo, e um só Espírito, com nossos dons, nossos talentos. Colocar tudo isso a serviço da sociedade, da igreja, com total doação”, explicou o padre que em seguida lembrou de alguns exemplos práticos.

“Quando fazemos por amor, fazemos com tudo que somos e tempos porque aquilo nos transforma, Isso é colocar os dons a serviço da comunidade”, completa a reflexão.

Por fim, fez um convite: “vamos, nessa festa de Pentecostes, colocar nosso coração a disposição de Deus, para que o espirito tome nosso coração e nos faça pessoas novas, tirando toda rigidez, todo peso. Tudo aqui que nos faz menos humanos e assim nos tornamos uma só igreja, uma só comunidade”.

A homilia foi concluída com um trecho do poema escrito pelo próprio Anchieta, sobre a vida de Nossa Senhora. O trecho do Poema da Virgem Maria que, com uma oração, conta a vinda do Espírito Santo. A oração do poema termina assim “Santo amor dá-nos os sete dons que nos sustenam, dá-nos as virtudes que te agradam, por fim o gozo da alegria eterna. Amém”

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